Em uma sala de debates invisível, onde ideias se cruzam como ventos em tempestade, vive um pensador inquieto. Ele acredita no direito ao contraditório — esse pilar que sustenta a justiça, que garante que toda voz tenha seu eco, que todo argumento encontre sua contraparte. Mas algo o incomoda: ao abrir espaço para o outro, sente que sua própria análise se dilui, como tinta em água. Não se trata de intolerância, tampouco de ego. É o receio de que, ao conceder espaço à divergência, esteja renunciando à própria interpretação dos fatos. Como se o ato de ouvir o outro fosse, paradoxalmente, uma forma de calar a si mesmo. Ele observa que, em muitas situações, há dois lados — e uma terceira posição: a abstenção. Mas essa abstenção não nasce da dúvida, e sim da impossibilidade de desagradar. É como se o silêncio fosse a única forma de não ferir, de não tomar partido, de não ser injusto com nenhum dos lados. E, nesse silêncio, surge a angústia: será que omitir-se é ser cúmplice d...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.