Ela nunca soube exatamente quando começou a andar no passo dos outros. Um dia era o chá de boldo recomendado pela vizinha; no outro, o lilás decretado pela colega como “cor do ano”. E lá ia ela, engolindo infusões amargas e vestindo tons que não eram seus, só para não destoar. Seguia porque era fácil, porque decidir cansava, porque as vozes alheias pareciam sempre mais seguras que suas próprias dúvidas. No grupo da família, bastou alguém dizer que dormir de meia atraía boas energias para que ela, que odiava pés abafados, fosse para a cama parecendo um pinguim — e ainda acordasse elogiando a experiência. O mais curioso é que ela não era tola; só era… maleável. Flexível demais. Daquelas pessoas que preferem o conforto do coro ao risco de cantar uma nota sozinha. Até que, no trabalho, pediram que ela escolhesse entre dois projetos. Sem plateia, sem opinião terceirizada, sem manual de instruções. Ela travou. O mundo parou. O universo aguardou. E então ela respirou fundo e escol...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.