Nos dias atuais, é difícil compreender certas atitudes humanas. Caminhando pelas ruas do meu bairro, deparei-me com uma moça de uns vinte anos. A jovem, de curvas marcantes — impossível não notar — tentava atravessar a avenida movimentada. O fluxo intenso de veículos, impiedoso como a própria cidade, não lhe permitia avançar. Agitava-se, inquieta, como se o mundo inteiro a empurrasse para o outro lado da rua. Talvez fosse o trabalho que não perdoa atrasos, o ônibus que não espera, o medo de perder o dia, o emprego, a chance. Talvez fosse apenas o hábito de viver correndo — esse vício social que nos ensinaram desde cedo, como se a vida fosse uma linha de chegada que nunca alcançamos Parei para observar a cena, que me devolveu a um pensamento que sempre me assombra: por que tanta pressa? Para onde vão? Por que vão? Estão sempre atrasados, ou apenas acreditam que estão? Enquanto eu observava — não por indiferença, mas porque já aprendi que a pressa não me serve — a mo...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.