Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de setembro 6, 2026

O Homem Só

    A cidade estava vazia naquela tarde. Uma brisa leve formava redemoinhos nas esquinas, levantando nuvens de poeira, jornais envelhecidos e pequenos restos de descartes que a vassoura do gari deixara escapar. O homem caminhava vagarosamente entre bancas de revistas fechadas e cavaletes de ambulantes abandonados. Estranhamente, naquela rua não havia sinal de viva alma. Era um deserto. De vez em quando, junto à sarjeta, um pequeno vulto se movia. Um rato. Nada mais. Nenhum carro, nenhuma conversa, nenhum telefone tocando. Apenas o som de seus próprios passos ecoando entre as fachadas silenciosas. Sem perceber, começou a acelerar o ritmo. Sua mente processava cada detalhe do ambiente ao redor. Algo estava errado. O silêncio não era apenas ausência de ruído; era uma presença inquietante, pesada, que parecia observá-lo de todos os cantos. Sentia-se só. Cada esquina que surgia diante de seus olhos trazia uma nova sensação de desconforto. Onde estavam todos? O que havia acontecid...