Andamos tão apressados, tão ocupados em cumprir metas, que esquecemos das pequenas gentilezas — aquelas que antes costuravam o tecido das relações humanas com pontos firmes e delicados. Hoje, conversamos por atalhos. A fala virou ícone. As palavras, coitadas, foram reduzidas a símbolos que exigem quase um curso de arqueologia para serem decifrados. Às vezes me sinto diante de uma escrita cuneiforme moderna, tentando entender o que significa aquele conjunto de carinhas, corações, foguinhos e mãos que apontam para todos os lados. Conversar com os mais jovens, então, é uma aventura antropológica, quase um exercício de resistência. Eles falam rápido, digitam mais rápido ainda, e respondem com uma economia de vocábulos que faria qualquer gramático chorar. Um “kk”, um “blz”, ou pior: um emoji que você não sabe se significa aprovação, sarcasmo ou pedido de socorro. E eu fico pensando: estamos perdendo a capacidade de comunicação verbal ou apenas terceiriza...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.