A pressa sempre foi uma velha conhecida nossa. Na juventude, ela nos empurra pelas ruas como um vento impaciente, dizendo que o mundo é logo ali e que tudo precisa ser vivido antes que o sol se ponha. E nós acreditamos. Corremos. Pulamos fogueiras. Cantamos alto nas noites frias de São João, quando o “Padroeiro das Festas Juninas” parece sorrir para cada balão que sobe, teimoso, rumo ao céu. Naquele tempo, a vida tinha cheiro de pinhão assado e quentão fumegante. A fogueira ardia como se fosse eterna, e nós também achávamos que éramos. As cantigas ecoavam sem pudor — “cai, cai balão, cai, cai balão aqui na minha mão” — e tudo parecia possível, até pisar em madeiras em brasas. A alegria era simples, imediata, quase infantil. Mas o universo, esse velho relojoeiro, não para. E nós, que antes corríamos, começamos a caminhar. Depois, a andar devagar. E um dia percebemos que a pressa mudou de lado: já não é ela que nos empurra; somos nós que tentamos segurá-la pelo ...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.