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Mostrando postagens de agosto 14, 2026

A Máquina de Escrever

    Todos os dias, quando me sento diante do teclado do computador, sinto o eco distante da velha máquina de escrever que marcou o início da minha caminhada. É curioso como certas memórias não se apagam; apenas mudam de forma, como se fossem letras migrando de um papel amarelado para uma tela iluminada. Era 1963, e eu ainda um menino de escola técnica, tentando descobrir que futuro cabia nas minhas mãos. A vida em casa era simples, apertada, mas nunca pequena. Minha mãe, lavadeira, carregava nos braços o peso das roupas e o peso dos sonhos que tinha para mim. Meu pai, consertador de sapatos, cuidava dos passos de tanta gente importante, enquanto sustentava os meus. Naquele tempo, cada tostão tinha destino certo. E foi juntando tostões — aqueles que minha mãe economizava — que ela me matriculou no curso de datilografia, lá na escola profissionalizante do bairro. Eu ainda nem sabia, mas aquele gesto era uma espécie de empurrão silencioso para o mundo. Lembro-me bem dos...