Houve um tempo em que as missas dominicais da igrejinha do bairro reuniam quase toda a comunidade. Dizia-se que metade dos presentes comparecia por fé e a outra metade por simples curiosidade. Ninguém sabia ao certo se a conta era verdadeira, mas bastava olhar ao redor para acreditar. Os velhos bancos de madeira, gastos por décadas de joelhos penitentes, acolhiam figuras que hoje permanecem apenas na memória daqueles que viveram aqueles dias. Entre elas estava o Vesgo Caolho, homem magro como vara de pescar, que jamais perdia uma missa. Os mais maldosos comentavam que ele aparecia apenas para receber a hóstia, como quem garantia uma refeição. Ele, porém, sempre negava. — Eu venho pela palavra de Deus — costumava responder, limpando a boca logo depois da comunhão. Na primeira fila sentavam-se as irmãs Margarida, Madalena e Magnólia. Já haviam passado dos quarenta e muitos anos e nunca se separavam. Vestiam-se com discrição, carregavam enormes terços e rezavam com uma dev...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.