A casa de madeira era pequena, com apenas duas peças: a cozinha e um cômodo adjacente que servia, ao mesmo tempo, de sala e dormitório. Nos rigorosos invernos dos campos do Sul, a família reunia-se em torno do fogão a lenha de quatro bocas. O crepitar das brasas e os lampejos avermelhados refletidos nas paredes aqueciam aquele ambiente simples, onde o tempo parecia correr mais devagar. Entre um mate e outro, a panela de ferro, encrostada de gordura, cozinhava a carne do almoço. A fumaça escapava do fogão e subia lentamente em direção ao telhado de telhas de barro. Ali, onde as vigas se encontravam formando ângulos semelhantes a pequenas pirâmides, acumulava-se o “picumã” . Negro e espesso, nascido da fuligem de incontáveis fogueiras, ele se agarrava às ripas como se fizesse parte da própria construção. Crescia devagar, ano após ano, formando franjas escuras que balançavam quando o vento encontrava frestas entre as tábuas da casa. As teias de aranha, recobertas pela fumaça...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.