O horizonte da Gaivota — uma só , grafada assim mesmo, no singular — talvez porque, se existiu outra, nunca a vi. Todos os dias, amanhece como quem abre lentamente uma cortina, estendendo-se diante de nós, imenso e paciente, oferecendo nuances que mudam conforme o humor do sol. Há manhãs em que o mar se veste de vermelho intenso, quase dramático; em outras, deixa que a luz se dissolva suavemente nas areias do balneário, como se estivesse com preguiça de começar o dia. A cada passo, não consigo evitar que a memória me leve para muito antes de qualquer calçadão colorido. Imagino os “carijós”, donos primeiros destas terras, moldando sambaquis que hoje são testemunhas silenciosas de uma história que quase esquecemos. Depois vieram os “açorianos”, trazendo sotaques, crenças e o desejo de fincar raízes num território que ainda era mais natureza do que cidade. Mas o tempo, esse escultor incansável, não para. Hoje, o litoral se desenha em passarelas infinitas, cada uma com seu ri...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.