Sinto saudade das bolinhas de gude, do carrinho de lomba, de soltar pipa, de jogar taco, de tomar banho no Guaíba. A cidade era o quintal da minha geração, e nós éramos donos de um tempo que não tinha pressa. Hoje caminho e sinto falta daquele romantismo simples, daquela ingenuidade que permitia errar sem o olhar inquisidor das mídias do século 21. Não reconheço mais aquela Porto Alegre dos Casais, onde o amor parecia ter mais tempo. Bancos, cinemas, cafés — tudo era pausa, tudo era encontro. Agora tudo corre, até os sentimentos. Também sinto saudade das quermesses na escola, do desfile da juventude, dos bailes de garagem onde a vida começava — tímida, desajeitada, bonita. Ali nasciam amizades, paixões, promessas que o tempo levou. Sinto falta dos sabores que não voltam: o pão quente da padaria, o café passado na hora, o cheiro do Mercado Público misturado com histórias. E das conversas de antes, quando olhar nos olhos era suficiente e o silêncio não assustava. Envelheci, e o mun...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.