Todas as manhãs, ele ergue as folhas desgastadas da persiana, o retângulo da janela se abre como um pequeno mundo particular. É sempre o mesmo enquadramento, mas nunca a mesma história. Lá fora, a cidade desperta em sua coreografia repetida: o horizonte recortado pelas paredes frias dos prédios, árvores teimosas que insistem em existir entre camadas de concreto, o canto melancólico dos sabiás nas laranjeiras, as caturritas em suas algazarras matinais, e dezenas de janelas que se abrem para mais um dia — cada uma guardando vidas e segredos que jamais conhecerá. Ele fica ali, sentado diante da escrivaninha, as mãos repousadas sobre o teclado, a mente vagando por entre prédios, nuvens e lembranças. Busca inspiração como quem procura um sinal no céu. A rotina, às vezes pesada como chumbo, outras vezes leve como uma pluma que serpenteia perdida entre arbustos e sacadas, molda seus pensamentos. Entre silêncios e rabiscos, seus textos começam a nascer. Personagens surgem co...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.