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Mostrando postagens de setembro 4, 2026

O Pequeno Mundo da Janela

    Todas as manhãs, ele ergue as folhas desgastadas da persiana, o retângulo da janela se abre como um pequeno mundo particular. É sempre o mesmo enquadramento, mas nunca a mesma história. Lá fora, a cidade desperta em sua coreografia repetida: o horizonte recortado pelas paredes frias dos prédios, árvores teimosas que insistem em existir entre camadas de concreto, o canto melancólico dos sabiás nas laranjeiras, as caturritas em suas algazarras matinais, e dezenas de janelas que se abrem para mais um dia — cada uma guardando vidas e segredos que jamais conhecerá. Ele fica ali, sentado diante da escrivaninha, as mãos repousadas sobre o teclado, a mente vagando por entre prédios, nuvens e lembranças. Busca inspiração como quem procura um sinal no céu. A rotina, às vezes pesada como chumbo, outras vezes leve como uma pluma que serpenteia perdida entre arbustos e sacadas, molda seus pensamentos. Entre silêncios e rabiscos, seus textos começam a nascer. Personagens surgem co...