Sou de uma geração que era feliz, porque ser feliz era um modo de vida. Tínhamos amigos — muitos ainda estão por aí, outros viraram lembrança, e alguns já se foram deixando apenas a saudade pousada no peito. Mas havia também um amigo secreto. Um amigo de raça indefinida, que mudava de cor conforme o tempo: às vezes preto, às vezes branco, às vezes pardo. Não importava — nunca houve espaço para discriminar. Éramos felizes juntos. Companheiros de tantas jornadas, cúmplices nas alegrias e nas tristezas, nas dores e nos prazeres. Em certos dias, éramos gladiadores invencíveis, duros, quase desumanos na forma como enfrentávamos o mundo. Mas éramos parceiros. Inseparáveis. Conquistamos glórias, subimos pódios, celebramos vitórias como quem celebra a própria vida. E, quando a derrota vinha, chorávamos juntos — lágrimas sinceras, daquelas que lavam a alma. E nas vezes em que a vida me levou para longe, quando não pude estar contigo, você ficou ali, esquecido num canto. Silencioso, pacien...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.