Sou de uma geração que viu o futebol arte nascer e crescer antes que a tecnologia o engolisse. Vi o jogo quando ainda era jogo — quando a bola era protagonista e não um dado estatístico, quando o drible era gesto espontâneo e não coreografia ensaiada. Naquele tempo, a lógica era simples e sábia: a bola deve correr mais que o jogador. E corria. Corria leve, obediente, guiada por pés que pareciam conversar com ela. Não se precisava olhar para baixo para dominá-la; bastava senti-la. Técnica era tato, era intimidade. O atleta sabia onde estava no campo como quem conhece a própria casa no escuro. Havia espaço para a invenção, para o improviso, para o lampejo que ninguém previa — nem o próprio autor. Hoje, não nego, há grandes jogadores. Há talento, há genialidade, há Messi — um maestro moderno, dono de uma visão espacial quase sobrenatural. Mas há também um futebol moldado em laboratório, milimetricamente planejado, onde cada passo, cada metro quadrado, cada movimento parece parte de ...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.