Dizem que ele morreu. Falam isso com naturalidade. Mas ninguém sabe ao certo. O que sabem, repetem. O que não sabem, inventam. Ele era figura constante nas vielas da periferia, desses que parecem conhecer cada buraco. Caminhava como quem desliza, sempre surgindo onde menos se esperava. Conversava com todos: com o dono do bar, com a senhora que vendia frutas na esquina, com os meninos que jogavam bola no campinho de terra. Tinha ideias demais para caber nas ruas estreitas que o moldaram. E então, um dia, sumiu. Não foi só ausência. Foi apagamento. Como se uma mão invisível tivesse passado pela cidade e varrido sua existência. Sem aviso, sem ruído, sem despedida. Escafedeu-se. Evaporou como se nunca tivesse existido. Nenhum corpo, nenhum rastro, nenhuma pista. Só o vazio. E o vazio, como sempre, foi preenchido por boatos. Nos becos, sussurravam que ele fugiu. Nos bares, juravam que ele foi silenciado. Nas redes, inventaram histórias tão elaboradas que pareciam roteiros de...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.