A gargalhada ecoou de forma sinistra pelos corredores da enfermaria, espalhando-se pelos outros andares do prédio. Havia nela um tom sarcástico e perturbador. Como acontecia quase todas as noites, ele despertava sob uma estranha agonia. Seus olhos percorriam o quarto escuro, enquanto vultos pareciam deslizar pelas paredes. As atendentes do andar ficavam atônitas sempre que ele insistia em afirmar que estava sendo perseguido. Com o dedo apontado para o vazio, balbuciava palavras indecifráveis, como se tentasse alertar alguém sobre uma ameaça que somente ele conseguia enxergar. O silêncio que se seguia era ainda mais assustador. As funcionárias trocavam olhares inquietos, sem saber ao certo se presenciavam os delírios de uma mente atormentada ou algo que escapava à compreensão de todos. Assim, os anos foram passando, e aquele corpo quase inerte sobre a cama já não lembrava em nada o jovem audacioso e esbelto que, um dia, atraíra os olhares apaixonados de tantas mul...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.