Desde muito cedo me ensinaram que vacina era um “mal necessário”. Não havia escolha, não havia debate. Havia fila. Uma fila comprida no pátio da escola primária, onde crianças inquietas esperavam por um instrumento de metal que parecia mais uma geringonça de ficção científica do que algo feito para proteger. Nada de agulhas delicadas: era ferro, pressão e um líquido misterioso que doía, deixava marca, dava febre. E a gente seguia brincando, porque criança não tem tempo para drama prolongado. Sobrevivemos. Crescemos. E aqui estou, na velhice, assistindo ao país transformar a vacina em campo de batalha. É curioso: aquilo que antes era só rotina virou bandeira, virou trincheira. Não me oponho a quem pensa diferente — cada um sabe de si — mas ainda me soa estranho ouvir que vacina faz mal, como se décadas de ciência coubessem numa frase de rede social. O Brasil, com seus 213,4 milhões de especialistas instantâneos, virou um grande laboratório de debates intermináveis. Não sobre vír...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.