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Mostrando postagens de agosto 21, 2026

Se Essa Rua…

    Acordei cedo, calcei meu velho tênis Conga desbotado e segui em direção ao mar. O céu, límpido, deixava o horizonte se revelar aos poucos. Caminhei alguns passos e, ao longe, o oceano se abriu diante de mim: um turbilh ã o de á gua inquieta. Vi veleiros riscando a superf í cie, navios e gaivotas que desenhavam arabescos no ar. Por um instante, tracei mentalmente rotas imaginárias — linhas que ligavam terras distantes ao ponto exato onde eu estava. Respirei fundo. Ao redor, a cidade despertava. Telhados, chaminés, e do pátio da escola vinha a algazarra das crianças, cantando com aquela alegria que só elas dominam: “Se essa rua, se essa rua fosse minha…” O coro infantil se misturava ao gorjear dos pássaros, como se todos participassem de um mesmo ensaio para celebrar o dia. Meu pensamento, sempre apressado, reorganizou-se na velocidade da luz — porque o cérebro, quando provocado, é assim: responde antes mesmo que a gente termine a pergunta. E então, num gesto qua...