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Mostrando postagens de maio 2, 2026

Quando a Cidade Perde a Memória

  Há dias em que Porto Alegre parece acordar mais leve — não por encanto, mas por ausência. Falta-lhe um pedaço. Um silêncio estranho paira onde antes havia um casarão de janelas altas, um sobrado de azulejos portugueses, um muro coberto de heras que testemunhou risos, brigas, encontros e despedidas.  A cada demolição, a cidade emagrece, mas não de forma saudável: perde massa histórica, perde identidade, perde alma. O estrondo das máquinas não é apenas ruído urbano; é uma espécie de luto metálico. O concreto que cai não é só concreto — são lembranças que se pulverizam no ar, como se a poeira carregasse consigo histórias que ninguém mais contará. E o pior é que tudo isso acontece sob o olhar cúmplice de legislações tortuosas, pareceres obscuros, autorizações que surgem como mágica, sempre a favor da pressa, nunca da preservação. A modernização, palavra tão bonita quando usada com cuidado, aqui vira desculpa. Especulação imobiliária se veste de progresso, mas seu perfume é o da ...