Girando, girando, multicolorida, rasgando o espaço num giro constante que dava nó na barriga. Lembro como se fosse agora: os dias no parque de diversões tinham pipoca quente, algodão doce azul/rosa e tiro ao alvo. Era um mundo inteiro embalado por risadas, luzes piscando e aquela música meio desafinada que só parque de interior sabe tocar. Mas era na roda-gigante que eu me transformava. Ali, suspenso no alto, eu deixava de ser criança de pés descalços e virava astronauta dos meus próprios sonhos. A cada volta, o mundo diminuía lá embaixo, e eu navegava um universo inventado, infinito, onde tudo parecia possível. E, claro, sempre tinha aquele momento em que a roda parava lá no alto. Todo mundo achava lindo, romântico, emocionante. Eu não. Eu só pensava no parafuso que o moço do macacão azul jurava ter apertado “ontem mesmo”. A fé da criança é uma coisa bonita, mas a minha confiança naquele parafuso era pura teimosia. As luzes, as algazarras, o vento batendo no rosto… Naquel...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.