A data chega suave, como quem pousa os pés na memória. É um dia comum, mas traz um brilho que só o tempo entende. Ser avós é renascer para o amor — um amor que não cobra, não exige, não pesa. É ser pais outra vez, porém com asas soltas e o coração desarmado. Ser avós é desfazer regras com delicadeza, abrir frestas no cotidiano, permitir que a vida escorra leve. É oferecer chocolate na hora proibida, refrigerante entre as refeições, e transformar pequenos desvios em grandes aventuras. É pular compromissos, inventar fugas, caminhar sem destino para lugar nenhum — e ainda assim chegar sempre ao afeto. Há uma arte nisso: a arte de amar sem moldura, sem manual, sem medo. Somos assim — todos somos assim — guiados por um instinto que não calcula consequências, apenas multiplica ternuras. Ser avós é ser abrigo, é ser conselho, é ser porto onde o tempo repousa. E quando o dia é lembrado, o coração se estreita. A distância às vezes dói, e então voltamos aos cenários antigos, às exp...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.