Hoje de manhã, enquanto eu tentava convencer o café a me acordar, reparei que o quintal tinha recebido umas pequenas visitas: cogumelos. Daqueles que aparecem depois de uma noite úmida, como se a terra tivesse decidido improvisar uma decoração. Não eram muitos — uns três ou quatro — mas chamavam atenção. Um deles parecia até um cogumelo alucinógeno, desses que prometem viagens interiores e mundos paralelos. Fiquei ali parado, olhando para eles como quem observa um milagre. No fundo, era só um cogumelo, claro. Mas às vezes o cotidiano insiste em puxar conversa. Peguei o celular para fotografar. Antes de abrir a câmera, apareceu uma notificação: uma matéria lembrando o aniversário da bomba de Hiroshima. A imagem do “cogumelo” gigante, aquele que não nasce da terra, mas da mão do homem, tomou a tela inteira. E aí, pronto. O cérebro fez o que mais gosta de fazer: associações improváveis. Fiquei olhando os cogumelos do quintal e pensando na ironia da palavra. Uns nascem para enfeita...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.