Apareceu do nada, numa tarde cinzenta de outono. Chovia fino, quando vi um pequeno c ã o olhando atrav é s das grades do port ã o, tremendo de frio e medo, um fiapinho de vida encharcado. Era pequeno, frágil, agitado. Pelo jeito como surgiu, dava pra ver que buscava abrigo e comida. Talvez o instinto tenha guiado seus passos até ali, porque naquela casa encontraria exatamente o que precisava: afeto. Os dias passaram, e lá estava, todo santo dia, no portão. Abanava aquela penugem de rabo como quem diz “voltei”. Ganhou carinho, comida e um lugar. Nome, por enquanto, não tinha — era só presença, dessas que a vida coloca no nosso caminho sem explicação. Até que meu neto, com a simplicidade bonita das crianças, resolveu adotá ‑ la. Olhou pra ela, olhou pro c é u daquela noite e disse: Vai ser “ Lua. ” Talvez porque o c é u estava t ã o claro. “Lua” cresceu. Os meses viraram anos, e ela se acostumou à nossa casa de praia. Mas existe um problema: de tempos em tempos, precisam...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.