O reencontro começou do jeito que as melhores histórias começam: por acaso. Dois setentões, sobreviventes das curvas do destino, esbarraram-se numa esquina qualquer. Um reconheceu o outro, e pronto: estava armado o início da saga. O café entrou em cena como testemunha ocular. Entre goles, risadas e aquele ritual de ajustar óculos para enxergar melhor o passado, lembraram as aventuras do bairro, as peladas de domingo, as serenatas mal ensaiadas e das paixonites que nunca deram certo. E ali, entre uma história e outra, decidiram: “Vamos reunir o resto da tropa.” A tropa, claro, já não era bem tropa — era mais um museu de figuras raras espalhadas pelo mundo. Cinco décadas tinham passado. Uns se casaram, outros descasaram, alguns mudaram de cidade, outros mudaram de dimensão. A vida tinha feito o que sempre faz: embaralhado tudo. Mas havia algo ainda mais extraordinário nessa ausência prolongada: o mundo tinha virado de cabeça pra baixo. A velha calculadora virou caixa eletr...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.