Ninguém sabia ao certo quando ele começara a ocupar aquele banco. Para muitos, o velho sempre estivera ali, como um marco silencioso da praça, tão permanente quanto as árvores que a cercavam. Chovesse ou fizesse sol, lá estava ele: o corpo arqueado, as mãos pousadas sobre o bastão gasto, o olhar perdido em algum ponto que ninguém mais conseguia enxergar. Eu o via todos os dias no caminho para o trabalho. No início, era apenas uma figura curiosa, um detalhe da paisagem. Mas com o tempo, comecei a notar que havia algo diferente na maneira como ele observava o mundo. Não era o olhar de quem espera; era o olhar de quem recorda. Seu rosto era um mapa de sulcos profundos, traçados pelo tempo com a precisão de quem escreve uma história longa demais para caber em palavras. Às vezes, quando o vento soprava mais frio, uma lágrima escorria devagar por aqueles vales. Não era tristeza — era memória. Uma memória tão antiga que parecia não pertencer mais ao corpo que a carregava....
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.