Passaram-se muitos anos. Ela havia se recuperado, ao menos em aparência, das situações adversas que fizeram dela uma mulher triste e emocionalmente fragilizada. Mas certas feridas não desaparecem; apenas aprendem a se esconder. O mundo ao seu redor era um emaranhado de dúvidas e questionamentos. Nunca mais foi a mesma. Vivia em permanente estado de alerta, como se algo terrível estivesse prestes a acontecer. O simples toque do telefone podia anunciar uma tragédia. Um atraso de poucos minutos transformava-se em motivo para angústia. Tudo servia de combustível para seus medos. O apartamento, localizado no final de uma rua sem saída, tornou-se seu refúgio e sua prisão. Durante o dia, era apenas mais um imóvel cercado pelo silêncio do bairro. À noite, porém, assumia outra forma. Os corredores pareciam mais longos, as sombras mais densas, os ruídos mais ameaçadores. Ali, entre paredes que guardavam lembranças demais, ela enxergava criaturas imaginárias. Não eram monstros de de...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.