Outro dia, caminhando pela rua, reparei numa bandeira do Brasil pendurada na sacada de um prédio. Estava ali, meio desbotada, balançando preguiçosa no vento, como quem já viu demais e não se surpreende com mais nada. Pensei que, coitada, talvez estivesse cansada de ser convocada para tudo: protesto, jogo, briga, festa, campanha, churrasco, desabafo. Lembrei do hino também. Aquele que a gente cantava na escola, meio sem entender o que era “lábaro estrelado”, mas cantava. Hoje, o hino aparece em vídeos de internet, remixado, acelerado, usado como trilha sonora para discursos inflamados ou para dancinhas de 15 segundos. E o brasão? Esse então virou figurante. Aparece perdido em repartições públicas, em documentos que ninguém lê e em capas de cadernos escolares que ninguém guarda. Um símbolo que pede respeito, mas recebe olhares apressados, como quem passa por um velho conhecido na rua e finge que não viu. No fim das contas, os símbolos nacionais continuam lá, firmes, tentando...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.