Para o amigo João Carlos, que inspirou estas linhas. O mês era junho — talvez julho; a memória insiste em borrar as bordas desse tempo. Na esquina, a velha mansão dormia sob a sombra dos jacarandás. As paredes brancas, exibiam rachaduras que lembravam veias expostas, sugerindo que o casarão tinha um corpo próprio, uma história que ainda pulsava sob a tinta desbotada. Imponente, guardava aquele pedaço da cidade como quem vigia um segredo. Dizem que, em seus dias de brilho, ali aconteciam saraus que atravessavam a madrugada. Senhores de cartola e bengala, damas com seus chapéus cloche , todos desfilando silhuetas elegantes pelo salão. Era um cenário que parecia arrancado do século XIX. A família que vivia ali — oito pessoas — orbitava em torno de um patriarca austríaco: homem alto, cabelos cor de fogo, barba espessa, postura que não admitia contestação. Entre os quatro filhos homens, havia um que se destacava pelos pendores artísticos. Tinha aquela alma se...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.