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Mostrando postagens de agosto 18, 2026

O Violinista

    Para o amigo João Carlos, que inspirou estas linhas.   O mês era junho — talvez julho; a memória insiste em borrar as bordas desse tempo. Na esquina, a velha mansão dormia sob a sombra dos jacarandás. As paredes brancas, exibiam rachaduras que lembravam veias expostas, sugerindo que o casarão tinha um corpo próprio, uma história que ainda pulsava sob a tinta desbotada. Imponente, guardava aquele pedaço da cidade como quem vigia um segredo. Dizem que, em seus dias de brilho, ali aconteciam saraus que atravessavam a madrugada. Senhores de cartola e bengala, damas com seus chapéus cloche , todos desfilando silhuetas elegantes pelo salão. Era um cenário que parecia arrancado do século XIX. A família que vivia ali — oito pessoas — orbitava em torno de um patriarca austríaco: homem alto, cabelos cor de fogo, barba espessa, postura que não admitia contestação. Entre os quatro filhos homens, havia um que se destacava pelos pendores artísticos. Tinha aquela alma se...