O mundo começou a girar diante de mim numa tarde qualquer, dessas em que a luz entra pela janela como quem não pede licença. Eu estava distraído, talvez cansado demais para perceber que algo em mim também girava. Foi então que, sem aviso, tudo se tornou um grande caleidoscópio — com suas cores imprevisíveis e seus estilhaços de memória. Cada movimento, por menor que fosse, reorganizava o cenário. As coisas que eu julgava sólidas se desfaziam em fragmentos luminosos, e outras, que eu nunca tinha notado, surgiam com uma nitidez quase insolente. Era como se o mundo insistisse em me mostrar que nada permanece igual por muito tempo. Enquanto observava esse turbilhão íntimo, percebi que não era apenas o mundo que mudava. Eu também me via multiplicado em versões que se contradiziam e se completavam. Havia o eu que acreditava saber de tudo, o que fingia não sentir nada, o que sonhava alto demais, e aquele que só queria um pouco de silêncio. Todos coexistiam ali, refletidos como espelhos ...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.