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Mostrando postagens de maio 14, 2026

Meu Álbum de Figurinhas

  Em tempos de Copa do Mundo, é normal falarmos de álbum de figurinhas. Eu mesmo financiava minha coleção com um esquema altamente sofisticado: os tostões “esquecidos” nos bolsos do paletó do meu pai ou no cofrinho de barro — aquele do porquinho gorducho que minha mãe guardava. Era tipo banco estatal: difícil de abrir, mas, quando abria, vinha verba. Eram tempos difíceis, e o único alimento possível era o pão nosso de cada dia. Lembro bem: os farelos espalhados sobre a mesa confundiam-se com os cromos coloridos. O mundo inteiro cabia naquele retângulo de madeira — continentes, estádios, heróis, sonhos. E eu, menino, acreditava que podia viajar sem sair de casa; bastava completar mais uma página do álbum. Havia álbuns de tudo: Tarzan pendurado em cipós, Jane com cara de quem já sabia que o Tarzan não ia dar futuro, e a Chita olhando de lado, tipo sogra desconfiada. As figurinhas vinham grudadas em balas carameladas, adoçando a infância com açúcar e aventura. Mas nenhum deles m...