Em tempos de Copa do Mundo, é normal falarmos de álbum de figurinhas. Eu mesmo financiava minha coleção com um esquema altamente sofisticado: os tostões “esquecidos” nos bolsos do paletó do meu pai ou no cofrinho de barro — aquele do porquinho gorducho que minha mãe guardava. Era tipo banco estatal: difícil de abrir, mas, quando abria, vinha verba. Eram tempos difíceis, e o único alimento possível era o pão nosso de cada dia. Lembro bem: os farelos espalhados sobre a mesa confundiam-se com os cromos coloridos. O mundo inteiro cabia naquele retângulo de madeira — continentes, estádios, heróis, sonhos. E eu, menino, acreditava que podia viajar sem sair de casa; bastava completar mais uma página do álbum. Havia álbuns de tudo: Tarzan pendurado em cipós, Jane com cara de quem já sabia que o Tarzan não ia dar futuro, e a Chita olhando de lado, tipo sogra desconfiada. As figurinhas vinham grudadas em balas carameladas, adoçando a infância com açúcar e aventura. Mas nenhum deles m...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.