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Mostrando postagens de abril 23, 2026

Perdão. Peço desculpa, eu errei

  Pedir desculpa sempre me soou como aquele momento em que precisamos admitir que colocamos sal demais na comida: ninguém quer confessar, mas todo mundo percebeu. Em debates acalorados, então, a dificuldade dobra. A gente entra cheio de certezas, argumentos afiados e aquela convicção quase teatral… até perceber que exagerou na dose.   Errar faz parte — é quase um item obrigatório do pacote “ser humano”. O problema é que, quando estamos defendendo nosso ponto de vista com entusiasmo demais, qualquer detalhe vira motivo para levantar a voz, esticar a frase e criar uma divergência que, no fundo, não precisava existir. Depois, olhando com calma, percebemos que algumas palavras saíram tortas, outras vieram fortes demais, e a intenção se perdeu no caminho.   É aí que entra o gesto que quero destacar: o simples, porém poderoso, ato de pedir perdão. Não aquele pedido automático, dito só para encerrar o assunto, mas o sincero, que reconhece que nossas interpretações foram exagera...

Pela janela do ônibus III

  Pela janela do ônibus, o mundo se desenrola em faixas de luz. Os grafites nas paredes contam histórias que ninguém pediu, mas que mesmo assim insistem em existir. Meu olhar se perde além do vidro, onde a cidade pulsa e meus pensamentos caminham mais rápido que o trânsito. No vai ‑ e ‑ vem dos dias, sigo o mesmo caminho, mas cada manhã colore o trajeto de outro jeito. E eu, passageiro do instante, observo a vida acontecer pela moldura breve do espaço coletivo.

São Jorge: guardião das batalhas que nunca cessam

    Desde menino, antes mesmo de entender o peso das palavras ou o sentido das crenças, eu já convivia com a figura imponente de um cavaleiro que parecia vigiar a casa inteira. São Jorge — montado em seu cavalo branco, lança firme, dragão aos pés — era mais do que um santo. Era um guardião silencioso, desses que não precisam falar para que a gente sinta a presença. Na parede da sala, pendurado um pouco torto, vivia um quadro já desbotado pelo tempo. Minha mãe o tratava como relíquia. Ao lado dele, sempre repousava uma palma benta do Domingo de Ramos, guardada com o mesmo cuidado com que se protege um segredo antigo. Ela dizia que aquilo afastava maus olhados, invejas, sombras que às vezes rondam a vida da gente sem pedir licença. E quando o céu escurecia de repente, quando trovões rasgavam o silêncio e os relâmpagos iluminavam nossa casa humilde, lá ia minha mãe — firme, devota, corajosa — fazer sua prece ao guerreiro. Era bonito de ver: enquanto o mundo lá fora parecia ...

O Herói dos Meus Primeiros Dias

    Desde muito jovem, nos bancos escolares ainda cheirando a giz, meu primeiro herói tinha nome e sobrenome: Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Era quase um personagem de fábula para mim. Surgia nos livros, nos murais, nas histórias contadas com solenidade pelos professores. Lendário, quase mítico, pairava acima da realidade como aqueles heróis que a infância insiste em eternizar. Com o tempo, fui descobrindo que a história é cheia de versões, disputas e revisões. Diziam que ele talvez não tivesse barba, que não era alto, que sua participação na conjuração era menor do que os livros sugeriam. Alguns até afirmavam que ele jamais deveria ter sido chamado de herói. Mas nada disso apagou a figura que se formou em mim. O herói que me ensinaram, esse permaneceu. E talvez seja justamente isso que me comove: a ideia de que, mesmo entre incertezas, escolhi guardar dele o que havia de mais luminoso. Não por ingenuidade, mas por necessidade. Em um Brasil que hoje parece t...

A Ganância do Poder e o Preço da Calçada

    Porto Alegre, com suas ruas antigas e suas esquinas cheias de histórias, sempre foi um território disputado entre carros, pedestres, ambulantes, árvores e, claro, o poder público. Mas nos últimos anos, algo mudou no ar — e não foi apenas o cheiro de gasolina cara. Foi a sensação de que cada centímetro de calçada, cada vaga de estacionamento, cada sombra de árvore virou moeda. Os parquímetros chegaram com o discurso conhecido: organizar o trânsito, democratizar o uso das vagas, garantir rotatividade. Em teoria, soa justo. Grandes metrópoles têm espaço cada vez mais reduzido, e administrar esse espaço é parte do papel de qualquer prefeitura. Mas a prática, como sempre, tem suas curvas fechadas. Porque há lugares onde a lógica da cobrança não se sustenta — e todo mundo sabe disso. Próximo a hospitais, por exemplo, onde o fluxo de carros não é capricho, mas necessidade. Onde idosos, pessoas com mobilidade reduzida, famílias aflitas e motoristas ansiosos disputam vagas nã...

Minha Rua

  Minha rua respira comigo.   É um fio de pedra antiga, torta e teimosa, onde o tempo se deita sem pressa.   Nos seus calçamentos irregulares, guardam ‑ se passos que j á n ã o lembro,   mas que ela, sábia e silenciosa, nunca esqueceu. À sombra das árvores frondosas, a vida sempre se ajeitou.   O burburinho das crianças — ah, esse som que nunca envelhece —   mistura-se ao canto dos sabiás, que começam o dia antes do sol   e o terminam quando a noite já se espreguiça.   As caturritas, em sua algazarra verde, fazem das palmeiras um palco,   e minha rua, paciente, aplaude. As velhas vizinhas, eternas guardiãs dos portões,   trocam receitas, memórias, confidências que o vento leva   mas que o coração devolve.   Há um aconchego nesse cotidiano que não se compra,   um prazer simples que se aprende  vivendo. Aqui cresci.   Aqui meus filhos nasceram.   Aqui amei, sonhei, perdi e recomecei.   Os verões mo...

O Anticristo Entre Nós

  Diariamente me deparo com notícias sobre o nosso planeta Terra — um lugar fértil, abundante, generoso — e, ao mesmo tempo, brutalmente devastado pela própria espécie que o habita.  A humanidade avançou como nunca: tecnologia, ciência, comunicação, medicina. Mas, em contrapartida, avançou também na capacidade de destruir, explorar e esgotar tudo ao seu redor.   Entre tantas questões que moldam nossa existência, há uma que nunca nos abandonou: a guerra entre iguais.  Desde os primórdios, o ser humano encontra justificativas para matar, dominar e subjugar. Mudam as bandeiras, mudam os discursos, mas a lógica permanece: poder acima da vida. Hoje, folheando jornais como nos velhos tempos, vejo manchetes que parecem repetir um ciclo sem fim. Enquanto foguetes cruzam o espaço rumo à Lua, aqui na Terra — ou acima, como a física explica — conflitos explodem em todos os cantos. Guerras por ganância, por interesses econômicos, por ambições que se escondem atrás de palavr...

Reflexão para o dia de hoje

  No dia de hoje, independentemente de nossas crenças religiosas, vale a pena fazer uma pausa — uma pausa íntima, silenciosa — para refletirmos sobre o verdadeiro significado desta data. Que, mesmo diante de uma mesa farta, o nosso coração não se esqueça da benevolência. Que sejamos capazes de olhar além do que nos pertence e lembrar daqueles que caminham pela vida com menos: os que enfrentam a doença, a solidão, a fome, a falta de esperança. Que cada um de nós, à sua maneira, peça ao Senhor — ou à força maior em que acredita — que ilumine nossos lares e todos que neles habitam. Que essa luz também alcance nossos irmãos deserdados da sorte, aqueles que lutam em silêncio, os que carregam dores invisíveis. Hoje é um convite à empatia. Um lembrete de que a verdadeira grandeza não está na abundância da mesa, mas na generosidade do espírito. Que possamos estender o pensamento, a oração e, sempre que possível, a mão.E que essa reflexão não dure apenas um dia, mas se transforme em atitude...

Primeiro de Abril: Entre Mentiras, Risadas e Outras Verdades Possíveis.

  O primeiro de abril sempre teve um sabor especial. Na escola, parecia que o ar mudava: todo mundo chegava desconfiado, olhando para os lados, como se qualquer frase pudesse ser uma armadilha. E, claro, quase sempre era. As crendices sobre a data circulavam pelos corredores como lendas. Tinha quem jurasse que tudo o que fosse prometido nesse dia “virava ao contrário”, ou que era azar acreditar em qualquer coisa antes do meio-dia. E as pegadinhas… essas eram um espetáculo à parte.   Coisas simples, mas que funcionavam sempre: - O clássico “te chamaram na coordenação”, que fazia qualquer um empalidecer.   - A borracha “emprestada” que nunca existiu.   - A notícia falsa sobre prova surpresa, que deixava metade da turma em pânico.   - Aquele amigo que chegava dizendo que tinha passado de ano por engano — e a gente acreditava por uns bons segundos. Hoje, quando a data aparece no calendário, bate aquela nostalgia suave. Lembro das risadas, das bobagens, da lev...

Como se tornar um babaca

  A sociedade, ao que tudo indica, conseguiu se tornar um grande babaca coletivo. Não aquele babaca clássico, barulhento, que se impõe pela grosseria explícita. É pior: tornou-se um babaca silencioso, anestesiado, que observa a própria decadência como quem assiste a um incêndio pela janela e pensa que talvez seja só mais um pôr do sol diferente. O processo foi gradual. Um dia, acordamos e percebemos que tudo ao redor parecia uma piada mal contada — e não das boas. O que se lê, se ouve e se assiste parece ter sido escrito por roteiristas cansados, que desistiram de qualquer compromisso com a lógica. A humanidade parece competir para ver quem sustenta a maior bobagem com a expressão mais séria. Mentiras se espalham como moda. Teorias absurdas ganham status de verdade alternativa. Idiotices sofisticadas circulam com a naturalidade de quem comenta o clima. A sociedade parece ter perdido o senso de realidade, como se estivesse vivendo numa dimensão paralela onde o absurdo virou norma e ...

Carta Aberta à Cidade Que Perde Sua Memória

    À população de Porto Alegre,   Aos responsáveis pelo patrimônio histórico,   Aos que ainda acreditam que uma cidade é mais do que um negócio, É com profunda indignação que recebemos a notícia da iminente demolição do palacete construído em 1954 por Boaventura Garcia, mais tarde residência do jurista Lia Pires. Não se trata apenas de um imóvel antigo: trata-se de um marco arquitetônico, cultural e simbólico de uma Porto Alegre que, aos poucos, está sendo apagada em nome da especulação imobiliária. O que vemos hoje é a repetição de um roteiro cansado. Um “investidor” adquire um bem histórico, o poder público assiste em silêncio, e a cidade perde mais um fragmento de sua identidade. O palacete da Dom Pedro II com a Marquês de Pombal — um exemplar raro do estilo espanhol, com quase mil metros quadrados de história — está prestes a virar pó. E por quê? Porque, para alguns, memória não vale tanto quanto metros quadrados vendáveis. É revoltante perceber que ...

O Número Que Me Persegue

  Sempre me achei um sujeito racional. Daqueles que dizem “não acredito em azar” com a mesma convicção de quem diz “só vou comer um pedacinho de chocolate”.  Mas basta o calendário anunciar uma sexta-feira 13 para minha lógica científica dar lugar a um comportamento… digamos… preventivo. Não é medo. É prudência. É diferente. Desde pequeno, convivi com um folclore doméstico que faria inveja a qualquer roteirista de filmes de terror. Minha mãe, por exemplo, tinha um radar especial para gatos pretos. Se um cruzasse o caminho, ela não só fazia o sinal da cruz como também me puxava pelo braço, como se o felino fosse um agente secreto do azar enviado para nos sabotar. E eu, claro, fingia que não ligava. Mas esperava o gato passar bem longe antes de continuar andando. Por via das dúvidas. As escadas eram outro capítulo. Passar por baixo? Nem pensar. Minha família tratava isso como se fosse uma espécie de portal para sete anos de azar. E abrir guarda-chuva dentro de casa? Só s...

A Saudade Ainda se Senta Naquela Mesa

  Há lugares que não são apenas lugares. São capítulos inteiros da nossa vida, escritos sem que a gente perceba. O restaurante Tipo Exportação é assim — um nome que parece passaporte, remetendo a idiomas, sotaques, países, e que, de alguma forma, reflete exatamente o que acontece ali dentro: uma mistura improvável e deliciosa de mundos. E, naquele canto específico, naquela mesa que parece sempre me esperar, vivi uma coleção de dias que hoje carrego como quem guarda fotografias dentro da carteira. Era ali que eu almoçava durante a jornada profissional, quase sempre no mesmo horário, quase sempre com a mesma fome — não só de comida, mas de conversa, de gente, de vida acontecendo ao redor. Naquela mesa, sentei-me com amigos e amigas que o tempo espalhou pelo mundo. Dividi histórias, tristezas que pesavam mais do que o prato do dia, alegrias que transbordavam como chope em happy hour , conquistas que eu anunciava como quem ergue uma taça. Ali, naquele espaço pequeno, cabiam memóri...

Investimento de alma

    Essa reflexão veio depois de ler o material enviado por Laércio — amigo, irmão de alma, que me tocou profundamente, diz o texto: “A verdadeira amizade é como um investimento: perdoe, ligue, crie memórias e passem tempo juntos." A frase bateu fundo. Porque, sinceramente, tenho sentido um desencanto crescente com a forma como as relações têm se tornado rasas. A gente se acostuma com o contato mínimo, com a ausência disfarçada de rotina, com a ideia de que estar num grupo é o mesmo que estar presente. Mas não é. Amizade de verdade exige mais. Exige que a gente apareça mesmo quando não é conveniente. Que a gente ligue sem motivo, só para ouvir a voz do outro. Que a gente crie memórias que não cabem num post , mas que ficam guardadas na alma. Que a gente perdoe, mesmo quando o orgulho tenta impedir. Que a gente esteja — de corpo, de mente, de coração. Não quero me conformar com a superficialidade. Não quero que os laços que construí ao longo da vida se dissolvam em notifica...

Entre Tecnologia e Autoria: O Que Penso da IA na Minha Produção Textual

  O avanço das tecnologias de inteligência artificial trouxe novas possibilidades para quem escreve, pesquisa e produz conhecimento. No meu caso, utilizo essas ferramentas como apoio para aprimorar meus textos, sem jamais abrir mão da autenticidade e da responsabilidade intelectual. A IA 1 funciona como um recurso complementar: ajuda a revisar a gramática, sugerir melhorias de clareza e indicar caminhos de pesquisa, mas o conteúdo, as ideias e a construção narrativa permanecem sendo de minha autoria. A qualidade da escrita depende, sobretudo, da capacidade de usar a ferramenta de forma correta. Isso significa evitar atalhos, não recorrer a informações duvidosas, não reproduzir fake news e, principalmente, não plagiar. A IA não substitui o pensamento crítico; ela apenas amplia as possibilidades de expressão quando utilizada com ética e discernimento. Vivemos em um mundo repleto de livros, artigos, jornais e textos dos mais variados estilos. Nesse vasto universo, é natural q...

Quando Meus Amigos Não Me Escutam Mais

  Em tempos de internet, tudo acontece tão rápido que, se você piscar, já perdeu três escândalos, duas tretas políticas e um vídeo de gato que já virou tendência mundial. As ideias brotam como pipoca no micro-ondas, e eu, nessa correria digital, virei praticamente um atleta do compartilhamento. Leio tudo. Absolutamente tudo. Se tiver letra, eu consumo. Se tiver imagem, eu amplio. Se tiver áudio, eu aumento o volume. E se tiver erro de português, eu reposto mesmo assim. Afinal, informação é poder — e eu me tornei o He-Man das fake news . Reposto matérias de jornais, manchetes de TV, prints de portais, vídeos de gente que eu nunca vi na vida, áudios de vozes misteriosas que garantem ter “fontes confiáveis”, e claro, as fakes news — essas são meu ouro digital. Sempre trazem algo extraordinário:   Dólar caiu! Dólar subiu! Dólar desapareceu misteriosamente! Banco vai quebrar, tire seu dinheiro! Nova variante do mosquito da dengue! E lá estou eu, firme, forte e...

A Luz no Fim do Túnel

    S empre tive uma relação… digamos… “protocolar” com a morte. Não é amizade, mas também não é inimizade. É mais aquele colega de trabalho que você não adiciona no WhatsApp, mas também não bloqueia. Eu sempre a tratei com respeito, como quem diz: “Olha, eu sei que você existe, mas não precisa vir falar comigo agora.” Para mim, a morte sempre foi um fenômeno tão parecido com o nascimento que, se colocassem os dois. lado a lado, eu provavelmente confundiria quem é quem. A diferença é que no nascimento todo mundo comemora, e na morte todo mundo fica apreensivo — talvez porque ninguém gosta de perder nada, nem controle remoto. A espiritualidade humana tenta explicar o que acontece depois, mas a verdade é que ninguém voltou com um relatório técnico. Então seguimos no escuro, literalmente, até porque o tal túnel nunca vem com iluminação de LED. E o medo… ah, o medo. Esse sim chega antes da morte, senta-se no sofá, abre a geladeira e ainda pergunta se pode ficar. Al...

A Flauta que Desafinou

  A flauta sempre foi a alma do GRE-NAL. Não apenas um instrumento de provocação, mas um ritual, quase um patrimônio cultural do futebol gaúcho. Quando o Grêmio vencia, a flauta vinha leve, debochada, certeira. Quando perdia, vinha do outro lado, afiada como navalha. Era assim que se mantinha viva a chama do clássico: na ironia, no exagero, na graça de rir do rival — e de si mesmo. Mas desta vez, algo mudou. O Grêmio venceu, manteve viva a fama de “Imortal”, ergueu o título… e, ainda assim, a flauta não tocou como deveria. Não teve aquele sopro cheio de malícia, aquela vibração que faz o torcedor inflar o peito e soltar o sorriso torto. A vitória veio, mas a alma do GRE-NAL ficou presa em algum lugar entre as linhas traçadas pelo VAR. O clássico, que sempre foi decidido no grito, no suor, no erro humano que alimentava histórias por décadas, agora parece refém de revisões intermináveis, congelamentos de imagem e debates geométricos. A emoção virou cálculo. A rivalidade virou p...

Domingo é Dia de VAR

  Domingo já foi dia de churrasco, de radinho de pilha chiando na beira da janela, de Gre ‑ Nal pegando fogo com sol na cara e nervoso no est ô mago. Hoje, domingo é dia de VAR. Esse ser inanimado, metido a moderno, que chegou sorrateiro com ar de mo ç o bom, prometendo justi ç a, mas tirando o brilho das tardes ensolaradas. Invadiu meu espa ç o como quem n ã o quer nada, e quando percebi, j á n ã o havia mais volta. Tenho um amigo vermelho — coincidência, claro, nada ideológico — que vive dizendo que domingo é dia do “ consórcio ” ¹ . Depois explico essa terminologia, mas adianto que tem a ver com aquela sensação de que tudo é decidido numa sala fechada, longe do gramado, longe da emoção, longe da vida real. Mas voltemos ao que interessa. Eu tive o privilégio de assistir partidas acirradas de futebol raiz. Aqui, novo alerta: mera coincidência, nada a ver com o “ consórcio ”, mas no Olímpico e nos Eucaliptos jogava ‑ se futebol. Lembram de Ortunho e Sapiranga? Bastava o...