Sempre acreditei que o tênis era um território reservado aos ricos: uniformes alvíssimos, gestos contidos, clubes onde o silêncio valia mais que qualquer aplauso. Para nós, que vivíamos do lado de fora da cerca, restava a fresta na parede — aquela pequena abertura por onde víamos a bola amarela riscar o ar como um cometa, levantar poeira do saibro e desaparecer no brilho do sol. Era um espetáculo distante, quase proibido, habitado por figuras de postura nobre, como se o esporte fosse um salão aristocrático ao ar livre. Mas o tempo, esse grande desarrumador de certezas, tratou de mexer nas peças. A sociedade mudou, os muros ficaram mais baixos, e um dia surgiu um menino magricela lá do Sul, de sorriso fácil e cabelos desgrenhados. Guga — assim, simples, íntimo, como se já fosse da família. Ele fez o Brasil descobrir que também podia vibrar com uma raquete na mão. Transformou o país em arquibancada, em torcida, em sonho. O tênis deixou de ser exclusividade dos abastados e virou ass...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.