Sempre desconfiei dessa expressão “jogo de azar”. Há algo de ambíguo nela, quase irônico. Afinal, se é jogo, deveria ser de sorte. Quando compro um bilhete, espero o mínimo: que esteja premiado. Não é otimismo, é lógica. Se eu pago por um pedaço de papel colorido, quero que ele venha com algum brilho, nem que seja um prêmio de consolação, tipo “parabéns, você ganhou o direito de continuar acreditando”. Mas o bilhete, esse traidor silencioso, quase sempre devolve apenas um “tente outra vez”, que é a forma educada de dizer “perdeu, campeão”. O problema é que essa expectativa inocente esconde um outro lado, bem menos romântico. O jogo tem um charme perigoso. Ele se apresenta como quem não quer nada, piscando para você com aquele olhar de “vem, é rapidinho”. E aí entram os apostadores — figuras fascinantes, quase personagens de novela. Alguns são estrategistas, outros são poetas da esperança, mas a maioria é formada por otimistas profissionais, gente que acredita que a vida está pres...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.