São João, celebrado em 24 de junho, sempre foi mais do que uma simples data no calendário. Lembro da expectativa que tomava conta da semana anterior aos festejos. Ainda garoto, saíamos em busca de madeira para montar a fogueira — quanto mais alta, mais parecia refletir nossa própria ideia de grandiosidade. Juntávamos taquaras, porque sabíamos que, ao tocarem o fogo, estourariam como rojões, busca-pés e outros pequenos artefatos que hoje, com a consciência ecológica e de segurança, já não são recomendáveis. Mas naquele tempo fazíamos coisas temerárias sem pensar duas vezes: colocar rojões sob latas para vê-las explodir, dilaceradas pelo impacto, era diversão garantida. Também fazíamos balões iluminados — hoje, nem pensar — e pendurávamos bandeirolas coloridas em longas cordas que cruzavam o pátio. No centro, cercada por pneus velhos, erguia-se ela: a fogueira, imponente, silenciosa, esperando o momento de ser acesa. Sobre as mesas, um banquete típico: pinhão, amendoim, rapadura, pipoca ...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.