Voltemos aos anos 1960, quando carro era privilégio de poucos e viajar de ônibus era, de fato, viajar. Ir de Ipanema ao Centro de Porto Alegre podia levar duas horas. Para quem não viveu essas aventuras coletivas, vale decifrar o ritual. A distância era grande, a velocidade modesta e, não raro, o ônibus precisava reabastecer no caminho para completar o trajeto. A ligação entre a longínqua Ponta Grossa e o Centro exigia superar uma série de obstáculos viários, especialmente a subida — ou descida — da Pedra Redonda, que parecia testar a coragem do motor, a fé dos passageiros e a habilidade do motorista em evitar que o ônibus voltasse de ré. Só depois desse desafio chegávamos ao ponto onde se fazia a troca de ônibus — então chamada de “baldeação” — no D.A.T.C., o Departamento Autônomo de Transportes Coletivo, criado em 1947 e situado no bairro Tristeza. (1) Os ônibus eram personagens por si só: o Papa-fila (FNM), o Renault, o Available , o Mercedes-Benz. Cada modelo tinha se...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.