A cada quatro anos, o Brasil parece acordar de um torpor coletivo apenas para mergulhar em outro: o da Copa do Mundo. É como se o país, tão acostumado às suas próprias crises, encontrasse no futebol uma espécie de anestesia social. De repente, tudo respira bola. Nos bares do centro, nos botecos escondidos nas vilas, nos salões climatizados dos hotéis cinco estrelas da orla de Copacabana — o idioma é um só, e a gramática é a da paixão. A velha expressão “pátria de chuteiras” volta a fazer sentido, mesmo que o país já não seja o mesmo, e o futebol tampouco. A sociedade evolui, transforma-se, e o esporte acompanha — às vezes tropeçando, às vezes correndo atrás do próprio rabo. O que não muda é a expectativa. Mas, convenhamos, nas últimas décadas o escrete canarinho não tem correspondido às expectativas. Não por falta de talento, mas talvez por falta de pertencimento. A seleção virou uma espécie de “legião estrangeira”: atletas brasileiros, sim, mas moldados em outros gramados, outros ...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.