Há dias em que a memória me pega pelo braço, como um velho amigo insistindo para revisitar histórias que o tempo tentou guardar em silêncio. Basta abrir a caixa de papelão no alto do armário — aquela mesma que já mudou de casa mais vezes do que eu gostaria de admitir — e lá estão eles: meus discos de vinil, sobreviventes de tantas mudanças e fases da vida. As capas, desbotadas como fotografias esquecidas, ainda carregam o cheiro de tardes mormacentas no bairro Ipanema. Era ali, entre ruas tranquilas e sonhos barulhentos, que a vida parecia sempre prestes a começar. Os bailes de garagem, improvisados com caixas de som que chiavam mais do que tocavam, eram o nosso passaporte para um mundo onde tudo era possível. A soda gelada, a Cuba Libre mal feita — mais rum do que cola, mais ousadia do que técnica — era o nosso batismo. Bebíamos fazendo careta, fingindo que entendíamos de drinques, quando na verdade só queríamos sentir que estávamos crescendo. Era o gosto da liberdade impro...
Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.