Samantha chamava atenção por onde passava. Alta, elegante, de cabelos loiros sobre os ombros, olhos esverdeados e sorriso misterioso, tinha uma presença difícil de ignorar. Na multinacional onde atuava em Finanças e Compliance, sua beleza frequentemente se sobrepunha à percepção de sua competência. Em reuniões, recebia olhares prolongados, elogios velados e comentários que desviavam o foco de suas observações técnicas. Percebia tudo, mas preferia deixar que o profissionalismo falasse por ela. O que mais a incomodava eram as confraternizações da empresa. Entre brindes e conversas aparentemente inocentes, surgiam abordagens que ultrapassavam limites. Nada explícito o suficiente para uma denúncia, mas bastante para fazê-la sentir-se observada e reduzida à própria imagem. Ainda assim, Samantha seguia firme em suas ambições profissionais. Em uma dessas festas, o diretor adjunto aproximou-se com uma taça de vinho. — À sua contribuição para a empresa. — Saúde. As taças se ...
Esta questão de sorte e azar sempre me intrigou. Tenho o hábito de jogar na Lotofácil há muitos anos, sempre apostando nos mesmos números. Ao longo desse tempo, já fui contemplado diversas vezes com os prêmios menores e, em duas ocasiões, cheguei muito perto do prêmio principal. O valor recebido foi razoável, suficiente para alimentar ainda mais a esperança de um dia acertar tudo. Mas o que sempre me intrigou foi a maneira como esses números aparecem nos sorteios. Há números que parecem surgir repetidamente, enquanto outros desaparecem por longos períodos. E, apesar de toda a insistência e da fidelidade às mesmas dezenas, gabaritar o resultado continua sendo um desafio quase impossível. Por outro lado, existe o famoso “jogo do bicho”, essa espécie de instituição nacional não oficial que atravessa gerações. Nele, um simples papel preenchido à caneta sobre papel carbono, produzindo duas vias, transforma-se em comprovante de uma aposta. Dezenas, centenas, milhares e alguns pouco...