São João, celebrado em 24 de junho, sempre foi mais do que uma simples data no calendário. Lembro da expectativa que tomava conta da semana anterior aos festejos. Ainda garoto, saíamos em busca de madeira para montar a fogueira — quanto mais alta, mais parecia refletir nossa própria ideia de grandiosidade.
Juntávamos taquaras, porque sabíamos que, ao tocarem o fogo, estourariam como rojões, busca-pés e outros pequenos artefatos que hoje, com a consciência ecológica e de segurança, já não são recomendáveis. Mas naquele tempo fazíamos coisas temerárias sem pensar duas vezes: colocar rojões sob latas para vê-las explodir, dilaceradas pelo impacto, era diversão garantida.
Também fazíamos balões iluminados — hoje, nem pensar — e pendurávamos bandeirolas coloridas em longas cordas que cruzavam o pátio. No centro, cercada por pneus velhos, erguia-se ela: a fogueira, imponente, silenciosa, esperando o momento de ser acesa.
Sobre as mesas, um banquete típico: pinhão, amendoim, rapadura, pipoca e quentão. Quando o fogo finalmente subia, iluminando a noite com seu clarão, começavam as cantorias, as danças, e nós, tímidos, arriscávamos passos com as namoradinhas da escola.
Ao final, vinha o ritual mais tenso: pisar sobre as brasas da fogueira. Era o teste de coragem que poucos ousavam enfrentar, mas que rendia histórias por semanas.
Sim, naquele tempo São João tinha outro significado. Nossos pais diziam que era a noite mais fria do ano, mas para nós era apenas uma das noites mais inesquecíveis da vida.
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