Sinto saudade das bolinhas de gude, do
carrinho de lomba, de soltar pipa, de jogar taco, de tomar banho no Guaíba. A
cidade era o quintal da minha geração, e nós éramos donos de um tempo que não
tinha pressa.
Hoje caminho e sinto falta daquele romantismo simples, daquela ingenuidade que permitia errar sem o olhar inquisidor das mídias do século 21. Não reconheço mais aquela Porto Alegre dos Casais, onde o amor parecia ter mais tempo. Bancos, cinemas, cafés — tudo era pausa, tudo era encontro. Agora tudo corre, até os sentimentos.
Também sinto saudade das quermesses na escola, do desfile da juventude, dos bailes de garagem onde a vida começava — tímida, desajeitada, bonita. Ali nasciam amizades, paixões, promessas que o tempo levou.
Sinto falta dos sabores que não voltam: o pão quente da padaria, o café passado na hora, o cheiro do Mercado Público misturado com histórias. E das conversas de antes, quando olhar nos olhos era suficiente e o silêncio não assustava.
Envelheci, e o mundo ficou veloz demais. A lentidão virou escolha — e resistência. “Quanto mais demorar, melhor, pois mais tempo fico por aqui”, repito como lema. Caminho devagar porque quero permanecer, ouvir os silêncios da cidade, guardar o que ainda me pertence.
Há lugares que resistem: a Redenção preguiçosa, o pôr do sol do Gasômetro, as esquinas do Centro que ainda sussurram histórias. Porto Alegre tenta se modernizar, mas certos silêncios não se deixam apagar.
No fim, o que mais sinto falta é do amor — o que tive, o que não tive, o que imaginei, o que perdi. Carrego comigo uma Porto Alegre que talvez só exista na memória, mas que ainda me acompanha como um velho amigo.
Hoje caminho e sinto falta daquele romantismo simples, daquela ingenuidade que permitia errar sem o olhar inquisidor das mídias do século 21. Não reconheço mais aquela Porto Alegre dos Casais, onde o amor parecia ter mais tempo. Bancos, cinemas, cafés — tudo era pausa, tudo era encontro. Agora tudo corre, até os sentimentos.
Também sinto saudade das quermesses na escola, do desfile da juventude, dos bailes de garagem onde a vida começava — tímida, desajeitada, bonita. Ali nasciam amizades, paixões, promessas que o tempo levou.
Sinto falta dos sabores que não voltam: o pão quente da padaria, o café passado na hora, o cheiro do Mercado Público misturado com histórias. E das conversas de antes, quando olhar nos olhos era suficiente e o silêncio não assustava.
Envelheci, e o mundo ficou veloz demais. A lentidão virou escolha — e resistência. “Quanto mais demorar, melhor, pois mais tempo fico por aqui”, repito como lema. Caminho devagar porque quero permanecer, ouvir os silêncios da cidade, guardar o que ainda me pertence.
Há lugares que resistem: a Redenção preguiçosa, o pôr do sol do Gasômetro, as esquinas do Centro que ainda sussurram histórias. Porto Alegre tenta se modernizar, mas certos silêncios não se deixam apagar.
No fim, o que mais sinto falta é do amor — o que tive, o que não tive, o que imaginei, o que perdi. Carrego comigo uma Porto Alegre que talvez só exista na memória, mas que ainda me acompanha como um velho amigo.
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