A data chega suave, como quem
pousa os pés na memória. É um dia comum, mas traz um brilho que só o tempo
entende. Ser avós é renascer para o amor — um amor que não cobra, não exige,
não pesa. É ser pais outra vez, porém com asas soltas e o coração desarmado.
Ser avós é desfazer regras com
delicadeza, abrir frestas no cotidiano, permitir que a vida escorra leve. É
oferecer chocolate na hora proibida, refrigerante entre as refeições, e
transformar pequenos desvios em grandes aventuras. É pular compromissos,
inventar fugas, caminhar sem destino para lugar nenhum — e ainda assim chegar
sempre ao afeto.
Há uma arte nisso: a arte de amar
sem moldura, sem manual, sem medo. Somos assim — todos somos assim — guiados
por um instinto que não calcula consequências, apenas multiplica ternuras. Ser
avós é ser abrigo, é ser conselho, é ser porto onde o tempo repousa.
E quando o dia é lembrado, o
coração se estreita. A distância às vezes dói, e então voltamos aos cenários
antigos, às expectativas de outrora. Agora, com os cabelos brancos e as rugas
do tempo vivido desenhando o rosto, olhamos com ternura para o horizonte
próximo. E ainda sentimos vibrar o corpo quando ouvimos, vindo das veredas da
memória, aquele grito que nunca perde força:
“Vô… Vó…”
Feliz Dia dos Avós.
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