Hoje de manhã, enquanto eu
tentava convencer o café a me acordar, reparei que o quintal tinha recebido
umas pequenas visitas: cogumelos. Daqueles que aparecem depois de uma noite
úmida, como se a terra tivesse decidido improvisar uma decoração.
Não eram muitos — uns três ou quatro — mas chamavam atenção. Um deles parecia até um cogumelo alucinógeno, desses que prometem viagens interiores e mundos paralelos. Fiquei ali parado, olhando para eles como quem observa um milagre. No fundo, era só um cogumelo, claro. Mas às vezes o cotidiano insiste em puxar conversa.
Peguei o celular para fotografar. Antes de abrir a câmera, apareceu uma notificação: uma matéria lembrando o aniversário da bomba de Hiroshima. A imagem do “cogumelo” gigante, aquele que não nasce da terra, mas da mão do homem, tomou a tela inteira.
E aí, pronto. O cérebro fez o que mais gosta de fazer: associações improváveis.
Fiquei olhando os cogumelos do quintal e pensando na ironia da palavra. Uns nascem para enfeitar a manhã. Outros para escurecer a história. Uns brotam silenciosos depois da chuva. Outros explodem quando alguém confunde poder com sabedoria.
O céu hoje estava meio cinza. Não por causa do clima — acho que era só o peso da lembrança. E enquanto eu terminava o café, fiquei com a sensação de que o mundo ainda prende a respiração de vez em quando. Talvez porque, no fundo, a gente ainda não aprendeu a diferenciar grandeza de destruição.
Os cogumelos do quintal continuam lá. Pequenos, coloridos, inocentes. O outro, aquele que apareceu em 1945, continua crescendo na memória — e lembrando que certas sombras não desaparecem só porque o dia amanheceu.
Não eram muitos — uns três ou quatro — mas chamavam atenção. Um deles parecia até um cogumelo alucinógeno, desses que prometem viagens interiores e mundos paralelos. Fiquei ali parado, olhando para eles como quem observa um milagre. No fundo, era só um cogumelo, claro. Mas às vezes o cotidiano insiste em puxar conversa.
Peguei o celular para fotografar. Antes de abrir a câmera, apareceu uma notificação: uma matéria lembrando o aniversário da bomba de Hiroshima. A imagem do “cogumelo” gigante, aquele que não nasce da terra, mas da mão do homem, tomou a tela inteira.
E aí, pronto. O cérebro fez o que mais gosta de fazer: associações improváveis.
Fiquei olhando os cogumelos do quintal e pensando na ironia da palavra. Uns nascem para enfeitar a manhã. Outros para escurecer a história. Uns brotam silenciosos depois da chuva. Outros explodem quando alguém confunde poder com sabedoria.
O céu hoje estava meio cinza. Não por causa do clima — acho que era só o peso da lembrança. E enquanto eu terminava o café, fiquei com a sensação de que o mundo ainda prende a respiração de vez em quando. Talvez porque, no fundo, a gente ainda não aprendeu a diferenciar grandeza de destruição.
Os cogumelos do quintal continuam lá. Pequenos, coloridos, inocentes. O outro, aquele que apareceu em 1945, continua crescendo na memória — e lembrando que certas sombras não desaparecem só porque o dia amanheceu.
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