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A Relevância dos Amistosos às Vésperas da Copa

 

Às vésperas de uma Copa do Mundo, volta à cena um velho debate: para que servem os amistosos de última hora? A cada ciclo, repete-se o mesmo ritual — jogos protocolares, seleções incompletas, atletas exaustos — e, inevitavelmente, o mesmo desfecho: lesões, cortes e a sensação de que nada daquilo precisava ter acontecido.

O que se viu recentemente com a seleção brasileira é um retrato fiel desse problema. Muitos dos convocados chegam da Europa com cargas físicas elevadíssimas, vindos de temporadas longas, intensas e cada vez mais exigentes. O futebol moderno cobra um preço alto: a condição física passou a se sobrepor à técnica, e o corpo, antes instrumento de arte, virou máquina submetida ao limite.

Nesse cenário, submeter jogadores desgastados a amistosos de baixa relevância beira o contrassenso. O ganho tático é mínimo, especialmente quando o elenco já deveria ter assimilado os conceitos essenciais muito antes. O que se vê, na prática, é o oposto: improviso, ajustes de última hora e a sensação de que a comissão técnica não antecipou o óbvio — que atletas fora da condição ideal não deveriam estar em campo, muito menos em partidas que pouco acrescentam.

O resultado está aí: um corte precoce, ainda no período de adaptação, que desmonta planos, exige reformulações e expõe a fragilidade de um planejamento que deveria ser sólido. A expressão “a esta altura do campeonato”, tão usada para justificar o inevitável, ganha aqui um sentido quase literal. Porque, de fato, a esta altura, já não há espaço para erros, testes ou riscos desnecessários.

Resta a pergunta que insiste em voltar a cada ciclo: vale a pena? Se a resposta ainda não é clara, talvez seja porque insistimos em repetir velhos hábitos esperando resultados diferentes. E no futebol — como na vida — isso raramente funciona.

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