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Quando o Que Parece Não É

 

 

Estamos concluindo a primeira etapa classificatória desta Copa do Mundo espalhada por três países — por quê, exatamente, ainda não sei. Talvez um dia eu entenda, talvez não. Por enquanto, o que me importa é ajustar meu ponto de vista de leigo: aquele que, ou já está velho demais para absorver os novos conceitos, ou simplesmente não vê sentido nas mudanças que não acrescentam nada ao que sempre existiu.

Afinal, a bola continua sendo uma bola — agora automatizada, sensível a estímulos, quase um ser vivo. O objetivo também permanece o mesmo: duas traves retangulares, separadas por alguns metros, onde atletas de equipes adversárias tentam fazer a bola passar. Simples. Ou pelo menos era.

Hoje, o futebol virou um laboratório. Acrescentaram tempo de reposição, punições por gestos, intervalos para hidratação, e mais uma dezena de critérios que ninguém pediu. E claro, o VAR — essa invenção que prometia justiça, mas que mais atrapalha do que corrige. Frações imperceptíveis agora decidem jogadas que mereciam ser eternizadas pelo seu plasticismo, não apagadas por uma régua digital.

Mas, enfim. O que restou desta primeira semana de jogos foi a surpresa: equipes de terceiro escalão apresentando qualidade técnica inesperada, unindo vigor físico e organização tática, complicando a vida das seleções poderosas. O futebol nivelou — não por baixo, mas por esforço.

Ainda assim, tudo é uma incógnita. E não dá para ignorar que alguns erros de arbitragem prejudicaram sensivelmente as equipes de menor poder técnico. Coincidência ou não, o peso da camisa ainda parece influenciar o apito.

O futebol atual, como tudo, está modificado, automatizado e dependente de cifras. Olha-se mais para o aspecto financeiro do que para a habilidade da arte em campo. A poesia perdeu espaço para o protocolo. O improviso cedeu lugar ao algoritmo. E nós, espectadores, seguimos tentando encontrar beleza nesse novo mundo onde o que parece… não é.

 

 

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