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A Difícil Arte de Falar do Óbvio


 

Falar sobre o óbvio sempre traz um certo desafio — afinal, nada mais difícil do que explicar aquilo que todo mundo já sabe, mas insiste em fingir que descobriu sozinho. Tempos atrás escrevi sobre Neymar, “a unanimidade nacional”. Unanimidade, claro, no sentido brasileiro da palavra: todo mundo concorda até alguém discordar. Cada um tem suas predileções, e o contraditório é lindo… quando não é você quem está errado.
Mas hoje quero falar de outra unanimidade, desta vez internacional: Messi. Sim, ele mesmo, o argentino que me obriga a elogiar argentinos — o que, convenhamos, já é uma violência emocional.
Falando de maneira geral, minha admiração pelos vizinhos é relativamente limitada. E não coloco em disputa minhas intenções quando o assunto é futebol. Para deixar explícito meu pensamento, registro: Pelé foi melhor. E não é opinião, é constatação científica. Risos.
Mas vamos ao Messi. O menino de Rosário, diagnosticado aos 11 anos com deficiência do hormônio do crescimento, acabou — ironicamente — tornando-se o maior pesadelo de quem tenta torcer contra ele. No Barcelona, sua combinação de visão de jogo, finalização cirúrgica e velocidade de raciocínio fez parecer que todos os outros jogadores estavam em câmera lenta. Messi não virou lenda; ele simplesmente decidiu ser uma.
Hoje, ao vê-lo derrubar defesas sólidas de grandes seleções, rendo-me à genialidade desse atleta. Não por vontade própria, claro. É rendição compulsória, quase uma obrigação moral. Nas próximas horas, espero que encerre sua carreira com as glórias de um grande ídolo. E que me dê paz, finalmente.
Porque falar de Messi é abrir um leque de opções inimagináveis — todas elas envolvendo eu estar errado. Ele me causa o desprazer de derrubar todos os meus prognósticos, todas as minhas certezas, e até algumas das minhas esperanças.
Então lamento, com sinceridade e um toque de dor: Neymar não é Messi. E o pior é que Messi insiste em provar isso diariamente.
 

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