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A Outra Queda da Bastilha

 

Hoje, 14 de julho.
Há aproximadamente duzentos anos, entre rebeliões, forcas, autoritarismo e uma crise econômica que parecia não ter fim, a França do Iluminismo fez capitular a Bastilha. Assim aprendi na escola: um povo exausto derrubando um símbolo de opressão e inaugurando a Revolução Francesa.
Coincidentemente — ou talvez não — hoje a seleção francesa vai a campo buscando reafirmar, em outro tipo de batalha, aqueles mesmos preceitos de liberdade, igualdade e fraternidade.
Abro aqui um parêntese para lembrar que França e Espanha já se enfrentaram em cenários bem mais sombrios: a Guerra dos Trinta Anos, com suas alianças instáveis e ambições territoriais; e, em outras épocas, a figura de Napoleão, com sua genialidade estratégica e suas explosões de raiva quando contrariado, redesenhando mapas e destinos.
A história, caprichosa como sempre, insiste em repetir seus duelos — ainda que em campos de grama bem aparada.
Hoje, o confronto se reencena em novas personagens: Mbappé x Yamal, dois jovens que carregam nas chuteiras não a pólvora da Bastilha, mas a eletricidade de milhões de olhares.
Que prevaleça a fraternidade.
Que o jogo seja o palco onde a rivalidade se transforma em espetáculo, e não em ruína.
E que, ao final, possamos celebrar não apenas quem venceu, mas o fato de que, ao contrário de 1789, desta vez a queda — se houver — será apenas simbólica.

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