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Adeus, Legião Estrangeira

 

A seleção brasileira adiou, de novo, a busca pela sexta estrela. Nada surpreendente. O que entrou em campo não foi o Brasil — foi uma caricatura, uma cópia malfeita, sem alma, sem garra, sem brilho. Uma seleção que parece ter vergonha da própria identidade, moldada ao estilo europeu por convocações equivocadas e decisões tão tardias que, quando finalmente acordaram, já havia uma muralha viking esperando para nos lembrar do óbvio: quem não sabe o que é, não vence ninguém.

O gosto da derrota é amargo, mas não injusto. É o sabor exato do que construímos: um time sem personalidade, sem coragem, sem rumo. Agora resta catar os cacos — e olha que são muitos — para tentar reinventar não apenas o futebol, mas a forma de pensar o futebol. Porque o que vimos foi um Brasil que não pensa, não reage, não sente. Apenas cumpre tabela.

É difícil analisar com frieza quando a frustração ainda está quente, mas não dá para fingir que o problema foi só o adversário. Do outro lado havia equipes qualificadas, sim. Mas isso não apaga o vexame tático brasileiro, nem a instabilidade emocional que transformou jogadores talentosos em sombras nervosas, incapazes de decidir quando mais precisavam.

O Brasil sucumbiu antes mesmo do apito inicial. Entrou em campo como Legião Estrangeira e saiu como Legião Desorientada. E o pior: sem deixar saudade.

Que a próxima geração tenha menos passaporte e mais personalidade. Menos Europa e mais Brasil. Porque, do jeito que está, nem estrela, nem brilho, nem identidade. Só o silêncio constrangedor de quem esqueceu quem é.

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