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Divergência de Opiniões

 

Já manifestei meu ponto de vista sobre essa questão em outra crônica — e, como sempre, descobri que opinião é igual a chute de atacante nervoso: cada um dá o seu, quase nunca acerta, mas insiste em repetir. O direito ao contraditório, dizem, enriquece debates. Enriquecer até enriquece, mas também cansa, irrita e às vezes dá vontade de pedir cartão vermelho para certos argumentos.
Desenvolver raciocínio sobre determinados assuntos põe em xeque nossa capacidade de argumentação. E põe mesmo: há fatos tão visíveis, tão óbvios, tão escancarados, que só não vê quem não quer — ou quem prefere acreditar na teoria da conspiração da semana. No futebol, então, virou moda contestar tudo: a intervenção do VAR, a decisão do juiz, o vento que soprou a bola para a esquerda, e até a sombra do bandeirinha, que certamente estava ali com intenções obscuras.
Com a avalanche midiática, os interesses extracampo se multiplicam como comentaristas em mesa-redonda: cada um com sua verdade absoluta, sua interpretação infalível e sua convicção de que o mundo gira em torno do próprio umbigo. E assim surgem as divergências, debates, posições exaltadas e aquele clássico espetáculo de exageros que faz qualquer discussão parecer final de campeonato. Conciliar opiniões? Só se for milagre. Aí paira o impasse: foi ou não foi?
Estava certo ou foi ocasional?   
O VAR viu ou fingiu que não viu?
Sempre sobra um rastro de dúvidas — porque quando o fato acontece, a balança tende para algum lado, normalmente o lado oposto ao nosso, claro. Afinal, a injustiça só existe quando é contra nós; quando é a favor, chamamos de “interpretação da regra”.
E assim segue a rotina: a eterna dúvida sobre a justiça da decisão, o eterno debate sobre o que deveria ter acontecido, e a eterna certeza de que, no fim das contas, ninguém vai concordar com ninguém.
Era para acontecer ou simplesmente aconteceu? 
Depende. Se foi contra o nosso time, obviamente não era para acontecer.
 

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