Quando cheguei, ainda pequeno,
Ipanema era um balneário. As casas, muitas em estilo bangalô de madeira, davam
ao lugar um charme que hoje só existe nas fotografias desbotadas. O ano era
1955. As ruas e avenidas tinham nomenclaturas pitorescas, homenagens aos
bairros cariocas: Rua da Gávea, Flamengo, Leme, Leblon… Viver ali naquele tempo
era ser considerado “nativo”, pois a maioria das residências eram casas de
veraneio de famílias abastadas e tradicionais da sociedade porto-alegrense.
Cresci entre o Guaíba — ainda rio
— e ruas arborizadas, com pitangueiras que perfumavam o ar e sabiás que
anunciavam o alvorecer. No verão, as areias escaldantes nos empurravam para o
refúgio dos banhos de praia, sempre próximos à Taba, tradicional bar e
restaurante da orla, ponto de encontros, conversas e namoros.
Naquele mesmo bairro havia uma
associação que reunia nomes prestigiados da sociedade: velejadores, tenistas, jogadores
de basquete, vôlei, bocha e bolão. Alguns chegaram a se destacar nos circuitos
esportivos da cidade. Era a SABI1 — aquela cujo símbolo é um
barquinho contrastando com o sol se pondo sobre o Guaíba. Ali passei grande
parte da minha juventude. Ali tive grandes alegrias, bailes de carnaval, festas
do chopp. Ali também fui inserido no esporte, no futebol de salão. Foram longos
anos de convivência com pessoas que marcaram uma etapa inteira da minha vida.
Muitos estão aqui hoje, representados pelo grupo Boleiros da SABI.
Os anos passaram, a vida andou a
passos largos. Veio a enchente. E um dia a SABI naufragou junto com aquele
barquinho do escudo. Restaram lembranças — hoje reduzidas a fotos desbotadas e
papéis que contam histórias que já não existem.
Há, a velha associação
recreativa… hoje é um projeto.
Se o tempo levou paredes, levou
quadras, levou o barquinho do escudo, não levou o que importa: o sentimento de
pertencimento. A SABI que naufragou no Guaíba reaparece agora como SABI+,
feita de lembranças, de gente, de vontade. Um projeto que não devolve o
passado, mas o honra — e o prolonga.
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