Sou entusiasta das novas
tecnologias e de seus benefícios. Utilizo constantemente as ferramentas
disponíveis para pesquisas e para facilitar meu cotidiano. Mas faço questão de
que qualquer revisão — seja de gramática, clareza ou estrutura — não substitua
minha autoria. A tecnologia pode ajudar, mas não deve assumir o lugar da
consciência humana.
Vivemos tempos em que fake
news, manipulações digitais e distorções de identidade se tornaram rotina.
Textos, fotos e vídeos são fabricados com a mesma facilidade com que se aperta
um botão. A veracidade, antes um valor, virou detalhe. E confesso: sinto-me
desanimado com os caminhos que a humanidade escolheu trilhar, como se
estivéssemos todos hipnotizados por uma tela que decide por nós.
Ao pensar nisso, volto à década
de 80/90, quando comprei para meus filhos o primeiro videogame. Aqueles bonecos
multicoloridos corriam pela tela verde dos computadores, empunhando armas
toscas e inocentes. Era tudo folclórico, amador, quase ingênuo. A humanidade
dava seus primeiros passos rumo ao irreversível — mas ainda havia certa
inocência no erro, certa humanidade no improviso.
Hoje, porém, entre o
desenvolvimento acelerado e seus efeitos devastadores sobre o planeta, vivemos
uma era em que tudo é calculado, monitorado, registrado. Ao assistir filmes,
noticiários e a avalanche de conteúdos que nos cercam, tenho a sensação de que
manuseio novamente aquele joystick antigo. Só que agora, em vez de
controlar bonecos, parece que controlo narrativas, decisões, destinos. Ou pior:
parece que alguém controla tudo isso por mim, enquanto eu apenas aperto botões.
E então surge a pergunta que não
quer calar: para onde estamos indo? Para qual mundo estamos sendo empurrados
por essa velocidade que não admite hesitação?
No esporte, milésimos decidem. Na
política, algoritmos influenciam. Na vida, um toque define o que é verdade e o
que é mentira. Não há mais espaço para contestação; o fato é consumado antes
mesmo de ser compreendido.
Sinto saudade daquele videogame
lento, quase artesanal, em que o malfeitor podia ser caçado sem pressa — e,
sobretudo, em que ainda era possível distinguir o jogo da vida real.
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